“As festas no meu condomínio costumam ser tumultuadas. Em uma confraternização de formatura, havia mais de 100 pessoas no salão. Muitos adolescentes com bebidas, uma bagunça muito grande e uma multa de R$ 5 mil para os donos da festa. Em outra ocasião, em uma festa de família, tinha muita gente e entraram muitos penetras. Só que entre esses penetras havia assaltantes, que conseguiram entrar no apartamento de uma família coreana, que estava viajando. Coreanos costumam guardar dinheiro e jóias em casa. Quando eles voltaram, não havia mais nada.”

RODRIGO F.

“Nunca gostei tanto de andar de elevador como em um prédio onde morei. Um dia, o síndico colocou um aviso no elevador sobre os gastos do condomínio. Algum morador escreveu neste mesmo papel, com uma caneta, acusações contra o síndico, dizendo que ele era ladrão. O síndico, então, escreveu outro comunicado se defendendo, dizendo que era inocente e honesto, e que todos os gastos do condomínio estavam em plena ordem. O morador foi lá e escreveu que tinha provas do crime. E assim a história foi andando, parecia série de tv, e a cada dia tinha um novo capítulo. Antes de sair de casa, eu ficava ansioso para entrar no elevador só para saber a atualização do caso. No final, terminou tudo em processo e os recados pararam. Sinto falta da troca de comunicados.”

ANDRÉ M.

“Uma vez uma moça que mora no meu prédio mandou uma mensagem para o namorado dela dizendo que ia se matar. O cara, então, saiu desesperado para o prédio para tentar impedi-la. Quando chegou lá, o porteiro interfonou no apartamento, mas ela não atendeu. O namorado, então, argumentou que ela tinha mandado uma mensagem dizendo que ia se jogar lá do alto e acabou convencendo o porteiro a liberar sua entrada. Quando ele finalmente conseguiu falar com a moça, eles discutiram e ela queria saber como ele tinha conseguido entrar no prédio. Resultado: ela processou o porteiro por ter liberado a entrada do namorado sem a permissão dela.”

GABRIEL T.

“Minha vizinha de baixo é uma senhora com fama de encrenqueira, que mora sozinha com seu cachorro e suas plantas. Um dia, ela acendeu uma vela de 7 dias e saiu para fazer compras sem o seu cão. Nossa faxineira estava limpando o quarto quando sentiu um cheiro estranho. Foi seguindo o cheiro e deu com a cozinha completamente tomada por uma fumaça escura. Achou que nossa máquina de lavar roupa estava pegando fogo e fugiu pela escada. Foi aí que ela percebeu que o fogo vinha do apartamento de baixo. Uma hora depois, a vizinha voltou para a casa e encontrou seu apartamento completamente carbonizado. Seu cachorro sobreviveu graças à agilidade dos bombeiros, que arrombaram a porta a tempo. A senhora tinha acendido a vela diretamente em cima de um mesa de madeira, ao lado da janela da área de serviço. Apesar da irresponsabilidade, por um momento eu senti dó por ela perder o apartamento. Mas o sentimento só durou até começarmos a conversar sobre a pintura da minha área de serviço.”

LUÍS M.

“Quando fui morar em apartamento foi um choque, já que antes morava em uma chácara. Logo no começo, passei uma noite em claro, super preocupada, e pensei por vezes em ligar para a polícia. Minha vizinha não parava de chorar e gritar, naquela noite também ouvi barulhos de tapas seguidos de choro! Fiquei desesperada! Mas não cheguei a ligar para a polícia. Quando amanheceu, ouvi o barulho da porta abrindo, corri para olhar pelo olho mágico e me deparei com a linda cena da vizinha aos beijos e abraços com o marido. Sadomasoquismo! Depois de um tempo, venderam o apartamento e o novo proprietário também curte uma noite barulhenta de amor. Tive que intervir várias vezes, socando a parede para que os ‘sussurros’ cessassem! Para se ter noção, teve uma vez que o vizinho do prédio da frente foi até a portaria reclamar do moço. Eu acho que o apartamento tem um estigma sexual.”

HEMIRENE T.

“Eu não costumo me envolver em nada, brigas, nada… Mas minha vizinha de cima é evangélica. E o Deus dela é surdo. Ela vai orar e grita. Você acha que tá rolando discussão, mas é só oração, mesmo. E ela sempre convida alguém para ler a Bíblia com ela. Até aí, beleza. Uma noite, tipo dez e pouco, eu comecei a escutar uns barulhos muito altos em cima do meu quarto. Tipo, a mulher pulando para expulsar o diabo. Quer gritar? Beleza. Mas pular? Em cima do meu quarto, com meu bebê dormindo? Minha filha acordou, eu virei um bicho. Subi as escadas, só para ter certeza de que eles estavam mesmo rezando. Depois desci, com sangue nos olhos – tipo Kill Bill -, interfonei para o porteiro e disse: ‘Avisa a vizinha que ela tem 1 minuto pra parar de falar com o Deus dela, senão eu vou arrebentar aquela porta’. O Deus dela, que devia ser surdo, ouviu… porque eles pararam.”

CLAUDIA C.